O ministro Herman Benjamin, do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcou para o dia 17 deste mês os
depoimentos do marqueteiro João Santana e da sua mulher, a empresária Mônica
Moura, e de André Santana, funcionário do casal, no âmbito da ação que apura se
a chapa de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) cometeu abuso de poder
político e econômico para se reeleger em 2014. O marqueteiro fez as campanhas
de Dilma à Presidência em 2010 e 2014. Os depoimentos vão ocorrer às 9h, no
Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA). Até agora, já foram ouvidas 52
testemunhas, entre elas dez ex-executivos da Odebrecht. Relator dos processos
da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson
Fachin homologou na última terça-feira (4) o acordo de colaboração
premiada celebrado entre o Ministério Público Federal (MPF) e os três. O pedido
para que eles fossem ouvidos pelo TSE veio do vice-procurador-geral eleitoral,
Nicolao Dino. A defesa de Dilma pediu na quinta-feira (6) ao TSE acesso às
delações premiadas dos três. Os advogados dos delatores informaram que não
podem comentar sobre o teor do acordo de colaboração premiada, que está ainda
sob sigilo. Os depoimentos de ex-executivos da Odebrecht prestados ao TSE no
mês passado mostram que as delações premiadas do casal devem revelar detalhes
do caixa 2 em campanhas do Brasil e no exterior realizadas de 2008 a 2014. Ao
TSE, Maria Lúcia Tavares, Luiz Eduardo Soares, Fernando Migliaccio, Hilberto
Mascarenhas e o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht revelaram
detalhes da relação da empreiteira com o casal, conhecido pelo codinome
"Feira". No dia 1.º de março, Marcelo Odebrecht disse ao TSE que, no
caso de Santana, os pagamentos do setor de propina representavam a maior parte
do que era destinado ao PT. "E aíé um processo que começo lá trás - estou
falando de 2008 - onde eles procuravam acertar com a gente um valor e a gente
dar um conforto ao João Santana, que ele recebia", afirmou. Primeira
delatora a falar sobre as atividades do departamento da propina, a secretária
Maria Lúcia Tavares organizava todos os pagamentos semanais, elencados por
valor, codinome do destinatário, nome da conta do operador e senha. Mesmo com
acesso aos sistemas de informática utilizados pelo departamento de propina ela
conhecia apenas um codinome da lista da Odebrecht: "Feira". Em
depoimento ao TSE em 6 de março, Mascarenhas afirmou que foram pagos entre US$
50 milhões e US$ 60 milhões para Mônica. Segundo o delator, foram feitos
pagamentos ao casal por campanhas no Brasil de 2010, 2012 e 2014 e também por
serviços realizados no exterior. "Pessoas de países que nós trabalhávamos,
como Angola, Panamá, El Salvador, queriam eles na campanha deles. E eles
diziam: 'Só vou se a Odebrecht garantir o pagamento'. Então sobrava para a
gente pagar, não é?", disse Mascarenhas. Segundo ele, os valores eram
sempre "bastante grandes" e Mônica exigia que parte fosse paga no
Brasil. De acordo com Migliaccio, havia uma sistemática para o pagamento
realizado a Mônica no Brasil - preferencialmente em reais e em dinheiro em
espécie. "Ela (Mônica Moura) também tinha demandas específicas, tipo: 'eu
preciso dessa semana, mas é para Venezuela'; 'do Brasil pode atrasar duas
semanas'; 'não, não, El Salvador tem que ser essa'. Então, eu tinha que me organizar.
Eu sabia exatamente que nós pagamos eleições, pagamos o trabalho dela nas
eleições - muito bem feito, por sinal, o trabalho dela - de El Salvador,
Venezuela, Angola, Brasil, República Dominicana e Panamá", detalhou
Migliaccio. Em fevereiro, o casal foram condenados pelo juiz federal Sérgio
Moro por crime de lavagem de dinheiro no esquema de corrupção instalado na
Petrobras. Ambos foram condenados a oito anos e quatro meses de prisão.
Bahia Noticias

Postar um comentário